Cientistas das universidades de Cardiff e de Southampton, no Reino Unido,
descobriram fósseis de uma floresta com 380 milhões de anos, numa ilha do
arquipélago de Svalbard, no oceano Árctico. Terão sido das primeiras árvores na
Terra.

Uma densa floresta tropical composta por árvores com troncos largos, ramos
curvos e folhas de agulha cobria uma certa área perto da linha do equador, há
380 milhões de anos. Os cientistas das universidades de Cardiff e de
Southampton, no Reino Unido, descobriram os fósseis dessa floresta ancestral já
muito longe da sua localização original: no arquipélago norueguês de Svalbard,
no Ártico.

As ilhas de Svalbard situam-se hoje no oceano Árctico, porém, há centenas de
milhões de anos estavam localizadas perto do equador e, pelo movimento das
placas tectónicas, deslocaram-se para norte.

A descoberta foi publicada na edição de Dezembro da revista Geology. Os
cientistas dataram esta floresta como uma das mais antigas da Terra e avançam a
hipótese de que estas árvores contribuíram para a queda dramática na atmosfera
dos níveis de dióxido de carbono (CO2), registada nesse passado distante do
nosso planeta.

“Estas florestas fósseis mostram-nos como era a vegetação e a paisagem no
equador há 380 milhões de anos, quando as primeiras árvores apareceram na
Terra”, diz um dos autores, Christopher Berry, da Universidade de Cardiff, em
comunicado da instituição, citado pelo Público.

Os investigadores descobriram então cepos fossilizados de árvore que estavam
preservados ainda dentro da terra. A floresta era extremamente densa, com um
espaçamento de 20 centímetros entre árvores e com árvores que chegariam a quatro
metros de altura. Segundo a informação disponível no resumo do artigo
científico, os fósseis de 380 milhões de anos foram identificados como sendo de
Protolepidodendropsis pulchra, uma espécie extinta de licopódios, que foram das
primeiras plantas na Terra com sistemas de transporte de seiva, água e sais
minerais.

Durante este mesmo período, o Devoniano ou Devónico (entre 420 a 360 milhões de
anos atrás), ocorreu uma redução de 15 vezes do CO2 na atmosfera. “O
aparecimento das árvores é a causa mais provável desta diminuição do CO2, porque
as plantas absorviam o CO2 através da fotossíntese e incorporavam-no nos
tecidos, tal como o processo de formação dos solos”, continua Christopher Berry,
citado pelo Público.

“Esta vegetação tropical com alta densidade de árvores pode ter promovido uma
rápida desagregação dos solos, aumentando assim a remoção de CO2 em comparação
com outras florestas contemporâneas a latitudes mais elevadas”, lê-se ainda na
conclusão do resumo do artigo científico.

Como explica o livescience.com, a partir das conclusões dos cientistas, o
arrefecimento global da Terra, que ocorreu no final do período Devoniano,
deveu-se à ação destas árvores que usaram os gases do efeito de estufa no seu
processo de fotossíntese.

A floresta descoberta em Svalbard é apenas um pouco mais recente do que a única
outra floresta fossilizada conhecida – a floresta de Gilboa, nos Estados Unidos
– descoberta em 2012.

Foto: Ilustração do cientista Chris Berry, da Universidade de Cardiff, publicada
no www.livescience.com.

Fonte: esquerda.net